Festa Viva Livro - literatura como acolhimento

É possível o mundo sem fronteiras? Quem sou e quem é o outro neste mundo? Em que medidas somos iguais e diferentes? Como é viver nas bordas? De que forma a pandemia nos aproximou e nos distanciou?

Estas são apenas algumas das indagações que serão tratadas durante a Festa Literária Internacional VivaLivro - Literatura como Acolhimento, evento online e gratuito, que aconteceu de 24 a 27 de março de 2021.

 

Organizado pela Solisluna Design Editora, em parceria com o Instituto Emília, o projeto teve o apoio financeiro do Estado da Bahia, através da Secretaria de Cultura e da Fundação Pedro Calmon (Programa Aldir Blanc Bahia), via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal. 

A curadoria ficou a cargo de Valéria Pergentino, sócia-fundadora da Solisluna, e de Dolores Prades, diretora do Instituto Emília. Entre os objetivos do evento estão promover a leitura de obras literárias que abordam temas como migração, diversidade cultural, identidade e outras histórias escritas sobre diferenças, bem como divulgar livros e autores que tratam das questões-chave de visibilidade. 

“A Festa Literária VivaLivro nasce da vontade de qualificar as experiências de leitura como espaços para pensar a condição humana e do desejo de criar um lugar de aprendizagem, reflexão e acolhimento de todas as diversidades. É um evento produzido aqui da Bahia, com a marca do nosso povo, mas que abarca sentimentos do mundo todo”, destaca Valéria Pergentino. Dolores Prades completa: “Tem também a questão da formação de leitores críticos, ‘desobedientes’  - como diz Graciela Montes, no livro ‘Buscar Indícios, Construir Sentidos -, capazes de saber qual é o seu lugar no mundo. E é isso o que a gente pretende discutir na programação".  

Durante quatro dias fora realizadas conversas literárias, oficinas, contação de histórias e feira de livros com lançamentos exclusivos. Entre os convidados, os representantes baianos são a artista Goya Lopes, a educadora Maria Isabel Gonçalves, a pedagoga Cybele Amado (diretora do Instituto Anísio Teixeira); o pedagogo e escritor José Eduardo Ferreira Santos (Acervo da Laje); e a professora e escritora Bárbara Carine (Escola Afro-Brasileira Maria Felipa); a psicóloga Claudia Mascarenhas, a jornalista Mira Silva; a cantora e instrumentista Mariana Caribé; a escritora e blogueira Emília Nuñez; e a pedagoga  e escritora Helena Nascimento. Também participaram do evento o pensador, escritor e líder indígena Ailton Krenak (MG); a pedagoga Tereza Cristina Rodrigues Villela (SP); a psicóloga, produtora cultural e escritora Neide Almeida (SP); a coordenadora do Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário (IBEAC-SP), Bel Santos; a artista plástica e consultora nas áreas de educação e artes, Stela Barbieri (SP); a jornalista e professora Rosane Borges (SP); e o educador, escritor, jornalista, documentarista e etnomúsico Délcio Teobaldo (MG).  

Entre os nomes internacionais estão a peruana Issa Watanabe, ilustradora do premiado livro 'Migrantes'; a escritora chilena Sara Bertrand, vencedora do New Horizons Award Raggazi Bologna (2017), com 'A Mulher da Guarda'; o economista equatoriano Alberto Acosta; o escritor e ilustrador argentino radicado na Espanha, Gusti Rosemfet, que em 2016 recebeu um dos mais prestigiosos prêmios internacionais, o “Bologna Ragazzi Award”, pelo livro 'Mallko y Papá', ganhador na categoria de livros sobre deficiências; e o escritor ganês Ousman Umar, um dos nomes mais representativos da atual literatura africana. Radicado em Barcelona desde 2005, Ousman tem sido celebrado em toda a Europa, por conta do livro ‘Trip to the White Country’ ('Viagem ao País dos Brancos'), no qual narra a dura jornada dos refugiados que saem de suas terras em busca de uma vida melhor em outros países, mas que, na maioria das vezes, encontram a miséria e a morte. O próprio escritor é um refugiado que caiu nas mãos do tráfico internacional de pessoas, mas sobreviveu para contar sua história e ser a voz de quem não teve a mesma "sorte". Umar abriu a Festa Literária. 

Em uma das oficinas, Neide Almeida provoca: Qual o lugar da literatura negra em seu repertório de leitura?". A outra ficou a cargo de Goya Lopes, que ministra aula de Criação de Ilustração

Os pequenos também tiveram espaço garantido. O sábado 27 pela manhã, último dia da Festa, foi todo dedicado para as crianças e para quem gosta de livros para a infância, com Histórias que encantam e acolhem, contadas por Mira Silva (@sementinhapreta), Helena Nascimento (@atrasdaporta), Mariana Caribé (@mariana_caribe) e Emília Nuñez (@maequele). 

Ainda na programação da Festa, sempre às 18h, houve lançamento de livros. No dia 24, o premiado ‘Migrantes’, da peruana Issa Watanabe, que foi publicado no Brasil pela Solisluna Editora, Selo Emília e Raposa Vermelha. No dia 25, o psicólogo baiano Alessandro Marimpietri apresentou ‘Quando somos um só’ (Solisluna Editora), escrito por ele e ilustrado por Esteban Vivaldi. Já no dia 26, foi a vez de ‘Patos e lobos-marinhos, conversas sobre literatura e juventude’ (Solisluna Editora e Selo Emília), da chilena Sara Bertrand. Para encerrar, no dia 27, a designer e artista baiana Goya Lopes lança ‘Tecelagem - uma história ilustrada’ (Solisluna Editora). 

Ebook gratuito

Quem eu sou no mundo

Este livro é composto por textos selecionados de alunos de escolas públicas baianas que se inscreveram e concorreram no Concurso Quem eu sou no mundo da I Festa Literária Internacional Viva Livro – Literatura como Acolhimento –, evento realizado virtualmente, de 24 a 27 de março de 2021, coordenado pela Solisluna Editora e o Instituto Emília.

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